Nacional

‘Casa de Mainha’: a essência e originalidade brasileira

pela arquiteta Érica Gasparini

Zé é um nome muito popular no Brasil, sendo o diminutivo de José. Se nos Estados Unidos Bob é Robert e no México Pancho é Francisco, no Brasil José é Zé. Zé Carioca, personagem criado na década de 1940 pelos estúdios Walt Disney, representa o brasileiro do subúrbio carioca, amante do futebol e do samba. Oito décadas depois, o Brasil absorvido pelo mundo ainda possui o “Zé”, mas sua presença se expandiu do Rio de Janeiro para polos culturalmente ricos do Nordeste brasileiro.

‘O Agente Secreto’, indicado ao Oscar de Melhor Filme de 2026, passa-se quase integralmente em Recife, capital de Pernambuco. Em 19 de fevereiro, outra expressão recifense ganhou o mundo: a ‘Casa de Mainha’. A reforma realizada pelo arquiteto Zé Vagner na residência da família em Feira Nova — cidade de 20 mil habitantes — conquistou o ArchDaily em sua 17ª edição. Para arquitetos, o ArchDaily é uma referência global, uma espécie de “Oscar da Arquitetura”; convém pontuar que a premiação recebeu 120 mil votos, reconhecendo expressões arquitetônicas de 14 países.

Foram três semanas de votação pública, e os projetos eleitos foram contemplados pelo crivo de votantes de mais de 100 países. Além do Brasil, o prêmio reconheceu profissionais da Alemanha, Canadá, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Dinamarca, Estados Unidos, Etiópia, Índia, Indonésia, Japão, Portugal e Vietnã. Numa área de 165 metros quadrados, Zé Vagner reformou a casa de sua mãe e batizou o projeto de ‘Casa de Mainha’. Erguida na década de 1980, a residência original utilizava a técnica milenar do adobe.

A equipe de projeto foi composta por Rubens Trajano, Nic Caldeira e Adja Santos. Zé Vagner, além de liderar o projeto como arquiteto, participou ativamente da execução da obra, contando com o auxílio de Marluce Oliveira, ajudante de pedreiro. O trabalho de cerâmica foi conduzido pelo Sr. Cassimir.

Mais do que uma simples reforma, a ‘Casa de Mainha’ materializa o encontro entre a sabedoria ancestral e a visão contemporânea, provando que a arquitetura brasileira, ao valorizar suas raízes e o afeto, possui voz própria no cenário global. Ao resgatar a técnica do adobe e honrar a memória da família, Zé Vagner e sua equipe criaram um espaço que transcende a funcionalidade, tornando-se um símbolo de identidade e pertencimento que ressoa muito além das fronteiras de Feira Nova.

Érica Gasparini é arquiteta e urbanista formada pela PUC Campinas, erica@egasparini.arq.bre LinkedIn www.linkedin.com/in/erica-gasparini/‘Let’s do what we love, let’s get inspired, let’s breathe architecture!’

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