Estudante de Marília conquista vaga em olimpíada e família inicia vaquinha virtual para representar o Brasil em Singapura

Antônio Pereira da Costa Neto, de 11 anos, solicita apoio para custear viagem e estadia numa das principais competições científicas de sua faixa etária

por Ramon Barbosa Franco, @ramonbarbosafranco 

Marília, 25 de março de 2026 – O estudante mariliense Antônio Pereira da Costa Neto, de 11 anos, acaba de conquistar o direito de representar o Brasil em uma competição internacional de matemática em Singapura. A criança, que vem se destacando como atleta de olimpíadas científicas, obteve resultados surpreendentes em avaliações nacionais e globais, garantindo a oportunidade de integrar o seleto grupo que reunirá alguns dos mais brilhantes estudantes da disciplina no mundo. Para viabilizar a viagem, a família busca o apoio da comunidade e empresas para custear despesas com passagens aéreas, hospedagem, alimentação e taxas de inscrição.

Conforme informações da mãe do estudante, a educadora Vanessa Prado, os custos totais para o deslocamento do aluno e de um responsável estão estimados em R$ 42 mil. “Essa é uma conquista extremamente importante não apenas para a sua trajetória acadêmica e pessoal, mas para o fortalecimento do processo da educação brasileira”, afirmou a educadora. Ela ressaltou que o objetivo da campanha é tornar o projeto viável e conferir visibilidade ao desempenho escolar do município de Marília no cenário exterior.

A mobilização busca sensibilizar doadores e empresas que possam contribuir com qualquer valor para atingir a meta financeira. “Buscamos apoio para tornar esse sonho possível e dar visibilidade para o alto nível da educação escolar dentro do município de Marília”, explicou a mãe. Em contrapartida ao apoio recebido, a família se comprometeu a registrar e compartilhar todo o processo de preparação e os resultados alcançados em Singapura através de redes sociais. “Qualquer contribuição faz diferença — e, se não puder contribuir financeiramente, compartilhar essa campanha já ajuda muito”, concluiu Vanessa Prado.

O currículo de premiações de Antônio, que está no 6º ano do Ensino Fundamental, inclui medalhas de ouro na Olimpíada Canguru de Matemática (2024 e 2025), na Olimpíada Brasileira de Raciocínio Lógico (2025) e na OBMEP (2023), além do 1º lugar nacional na categoria ouro no Singapore Math Challenge Global Final (2026). Fora do ambiente de cálculos, o estudante dedica-se à leitura, tendo como preferência a história em quadrinhos ‘Radius’, que fundamentou a escrita de seu próprio livro. O jovem também acompanhou o lançamento da obra ‘Quatro Patas, a história de Pituco’, escrita por Tiago de Moraes das Chagas e Ramon Barbosa Franco, inspirada no cão herói de Marília.

As doações podem ser realizadas diretamente por meio da plataforma digital de arrecadação. Os interessados em colaborar com a jornada do estudante podem acessar o link oficial da campanha: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/rumo-a-singapura-apoio-a-atleta-olimpico-de-matematica.

“Brasil está virando o país do tributo e deixando a reciclagem”, afirma Donófrio, do Grupo Metalfec

Evento inédito em Marília reúne representantes de todo o país para debater gargalos e o impacto da nova taxação sobre o setor de sucatas

O workshop Recicla Legal, realizado pelo Grupo Metalfec em 19 de março, em Marília, superou as expectativas ao reunir mais de 140 participantes de estados como Ceará, Rio Grande do Sul, Maranhão e Pará. Idealizado inicialmente para combater o furto de fios de cobre, o evento consolidou-se como um fórum estratégico de formalização. Conforme afirmou Fábio Donófrio – idealizador e organizador do simpósio e CEO do Metalfec, o interesse foi imediato. “Fiquei surpreso pelo sucesso. Mostra que o setor quer crescer e se organizar”, declarou.

A principal preocupação dos congressistas recai sobre a recente alteração tributária que impôs 9,25% de PIS e COFINS sobre a sucata. Donófrio classificou a medida como um retrocesso ambiental e econômico. “O Brasil está deixando de ser o país da reciclagem e virando o país do tributo”, desabafou o empresário, ressaltando que a nova carga tributária configura uma ‘exa-tributação’, já que o produto original já havia sido taxado anteriormente em sua fabricação.

O impacto social da medida deve atingir diretamente a base da cadeia produtiva: os catadores. Com a nova tributação, o valor pago pelo material reciclado deve sofrer retração, desestimulando a atividade. Donófrio alerta que a conta chegará na ponta final: “Quem vai pagar essa conta é o catador, que vai vender sua reciclagem 10% a menos”. Para ele, o setor deveria receber incentivos governamentais pela economia de energia e preservação, em vez de novas punições financeiras.

A relevância do alumínio foi destacada como exemplo de potencial desperdiçado pela falta de políticas públicas. Embora o Brasil seja líder mundial na reciclagem do metal, o setor enfrenta dificuldades para expandir a operação para outros resíduos, como plástico e papelão. Donófrio pontuou que a reciclagem de alumínio utiliza apenas 5% da energia necessária para a extração mineral: “Com 2 mil toneladas, você consegue abastecer uma cidade como Marília”, comparou, enfatizando a dimensão do ganho ambiental.

O workshop contou com a presença de figuras como Paulo Fiuza e Anderson Pomini, presidente do Porto de Santos, que sinalizou apoio à interlocução política do setor. O sucesso do encontro garantiu a continuidade do projeto para novas edições. “Esse é o primeiro de muitos. Ficou um gostinho de quero mais e a oportunidade de um networking fundamental entre indústrias, sucateiros e o poder público”, concluiu Donófrio, projetando um mercado impulsionado por novas tecnologias e carros elétricos.

50 anos da Unesp: a democratização de acesso ao Ensino Superior

por Marcos Cordeiro Pires

O então governador de São Paulo Paulo Egydio Martins, em 30 de janeiro de 1976, ao sancionar a Lei Estadual nº 952, unificou diversas instituições paulistas de Ensino Superior distribuídas por várias cidades do Interior de São Paulo, criando assim a Universidade Estadual Paulista, Unesp. Uma única universidade pública congregava o fazer científico espalhado por dezenas de municípios do Estado. Desde então, a Unesp se consolidou como uma das 10 melhores universidades do país, como um centro de ensino, pesquisa e extensão. 

A Unesp é a caçula entre as três universidades estaduais do nosso Estado. A mais antiga é a USP (Universidade de São Paulo), de 1934. A irmã do meio é a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), fundada no ano de 1966. 

Assim como as demais, a Unesp é uma instituição pública e 100% gratuita, financiada pelos impostos da sociedade paulista. Ela possui 34 unidades em 24 cidades, sendo 22 no Interior, uma na Capital e uma no Litoral paulista, em São Vicente. São oferecidos 136 cursos de graduação e forma, por ano, mais de 5.000 novos profissionais. Possui cerca de 14 mil mestrandos e doutorandos matriculados em mais de 150 programas de pós-graduação em todas as áreas do conhecimento, desde Medicina até Física Teórica.

Minha história na Unesp teve início em agosto de 2005, quando ingressei no Departamento de Ciências Políticas e Econômicas, no Campus de Marília, e ‘queimei meus navios’ para me mudar para cá. Do jeito que  fez o explorador Hernán Cortés quando chegou à costa mexicana, não tendo mais como regressar a se não com a absoluta vitória. Aqui encontrei uma cidade acolhedora, bem como um ambiente acadêmico de alto nível, que me proporcionou oportunidades para aprofundar o conhecimento em Economia Política Internacional, mais especificamente sobre os impactos das transformações econômicas e sociais decorrentes do processo de Reforma e Abertura da China. Nesses vinte anos, já visitei o país em 15 ocasiões e acompanhei ‘in loco’ as profundas transformações que fizeram da China a maior potência industrial do mundo.

Nesse longo período na Unesp eu convivi com intelectuais de altíssimo nível, bem como com centenas de universitários brilhantes, que hoje trabalham em grandes corporações, no setor público, em instituições internacionais e na docência em prestigiadas universidades do Brasil. Ao longo de todos esses anos, pude ver desabrochar o talento latente que estava estampado no rosto de cada aluno. Pude, ainda, acompanhar a democratização do acesso à universidade pública, vendo representada, em cada sala de aula, a grande diversidade que caracteriza o nosso país.

Por fim, é importante destacar que, em Marília, encontrei novos amigos e ainda estou conhecendo cada aspecto da riqueza de nossa cidade, seja uma nova cervejaria artesanal, um novo restaurante ou um cantinho que só os antigos marilienses conhecem. Nesse aspecto, vale a pena citar o saudoso deputado constituinte de 1988 e ex-deputado estadual Dr. Oswaldo Doreto Campanari, com quem conversei sobre a criação da Unesp. Em certa oportunidade, ele me relatou os bastidores da elaboração da Lei que a instituiu, em 1976. 

Naquele momento, havia resistências de alguns setores da sociedade à criação de mais uma universidade pública estadual. Quem mais expressava a contrariedade era o jornal ‘O Estado de S.Paulo’, o Estadão. Diante disso, como forma de lustrar o ego da família Mesquita de modo a superar a resistência, os deputados estaduais incluíram o nome de Júlio Mesquita Filho. O Dr. Doreto me contou esta história com um sorriso maroto e muito orgulho de sua atuação na criação da nossa Universidade Estadual Paulista ‘Júlio de Mesquita Filho’, um patrimônio do povo paulista e de todos nós brasileiros.

Marcos Cordeiro Pires é professor doutor do campus da Unesp (Universidade Estadual Paulista) ‘Júlio de Mesquita Filho’, campus de Marília, e diretor do instituto Unity Global (@unityglobalinstitute)

AEA Marília inaugura coworking com apoio do Crea-SP e lança projeto de inovação

Espaço construído na sede da associação servirá de base para o programa ‘Rota da Inovação’, focado na capacitação estratégica de microempreendedores locais

Com a inauguração do novo espaço coworking, prevista para acontecer nesta quarta-feira, dia 25 de março de 2026, às 18h30, a AEA (Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Marília) com o apoio fundamental do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo), entrega para a cidade moderno projeto de inovação voltado ao fortalecimento do ecossistema empresarial. A iniciativa ‘Empreendedorismo e a Rota da Inovação’, oferecerá capacitação e mentoria gratuita para 20 Microempreendedores Individuais (MEIs) formalizados nos últimos dois anos. O objetivo central é transformar pequenas ideias em negócios sustentáveis e competitivos no mercado regional.

O programa surge como uma resposta estratégica aos dados do Sebrae SP, que apontam alta taxa de encerramento de empresas em seus primeiros anos de funcionamento por falhas de gestão. Durante as atividades, os participantes terão acesso a mentorias especializadas e ferramentas modernas de planejamento, como o Business Model Canvas e a Análise SWOT. O diferencial do projeto é a aplicação prática, permitindo que cada empreendedor utilize o próprio negócio como estudo de caso durante o aprendizado.

O presidente da AEA Marília, engenheiro civil Vitor Manuel Carvalho Sousa Violante, destacou que a chegada do novo coworking representa um divisor de águas para os profissionais da região e enalteceu a continuidade da gestão no sistema. “A entrega deste espaço é fruto de uma visão estratégica que começou com o atual presidente do Confea, Vinicius Marchese, a quem devemos o mérito pela idealização desta rede de coworkings distribuída em cidades polos de São Paulo”, pontuou. 

Vitor Violante salientou que, “sob a liderança da presidente do Crea-SP, Lígia Mackey, o projeto ganhou o impulso necessário para se tornar realidade em nossa sede”, contextualizou. “Todos nós, diretoria e associados da AEA Marília, somos gratos pelo empenho de ambos, que sempre demonstraram um olhar atento às demandas da classe tecnológica e à modernização das nossas associações”, finalizou Violante.

A coordenação técnica das capacitações ficará a cargo do especialista Leandro Tenório, atual coordenador do curso de Administração do Univem e consultor de negócios com ampla experiência em inovação, empreendedorismo e finanças corporativas. As atividades serão desenvolvidas na sede da AEA Marília, que disponibilizará sua nova infraestrutura de coworking como contrapartida institucional. O ambiente servirá como laboratório para o desenvolvimento de competências em liderança, viabilidade financeira e estratégias de mercado para os empreendedores selecionados.

A formalização da parceria ocorrerá durante a cerimônia de abertura do novo ambiente de inovação, marcando um avanço nas políticas públicas de geração de renda e fortalecimento do ecossistema econômico de Marília. Espera-se que, ao final do ciclo, 20 projetos empresariais estejam plenamente estruturados, contribuindo para a robustez da economia local. Os detalhes executivos do cronograma serão entregues à Secretaria de Desenvolvimento Econômico para integrar o plano de ação municipal de 2026.

A ciência do afeto: como a intervenção precoce moldou a autonomia de Liz

O diagnóstico imediato e a rede de apoio especializada garantem o desenvolvimento pleno e a inclusão de crianças com Síndrome de Down

A pontualidade e a segurança marcaram a manhã do dia 7 de fevereiro de 2026, quando, às 7h30, a pequena Liz Morgado, de quatro anos, cruzou os portões da Escola Guiomar, em Assis. O gesto de despedida, um ‘tchau’ firme direcionado à mãe, Maria Eliane Cordeiro Doerig, não foi fruto do acaso, mas o coroamento de uma jornada iniciada apenas 90 dias após o seu nascimento, em novembro de 2021. 

Para famílias que convivem com a Síndrome de Down ( T21) , o ingresso no universo pedagógico representa um marco de independência que só é possível graças ao diagnóstico precoce e ao suporte de equipes multidisciplinares, como as que acompanharam a pequena Liz,  no Instituto Equilibre, em Paraguaçu Paulista. O dia 21 de março é celebrado como Dia Internacional da Síndrome de Down, já que a data 21 do 3, faz referência à trissomia do cromossomo 21 – que é a alteração genética causadora da condição. Embora tenha realizado todos os exames do pré-natal, não foi possível identificar alterações, havendo a suspeita imediatamente ao nascer . Olhos amendoados e outras características físicas típicas foram observadas pela médica obstetra. Entre o nascimento e o diagnóstico se passaram 50 dias, e, antes de 90 dias de vida, Liz já iniciava seu tratamento multidisciplinar no Instituto Equilibre.

A trajetória de Liz evidencia que o desenvolvimento motor, cognitivo e linguístico em casos de trissomia do cromossomo 21 não segue um fluxo automático, exigindo estímulos planejados para superar barreiras biológicas. A fonoaudióloga Priscila Reis, que integrou a equipe de cuidados, explicou que a lentidão no processamento de informações/ aprendizagem é uma variável constante. Conforme a especialista, a informação chega, mas a criança demanda um tempo maior para processar e executar o que lhe foi solicitado . Se o ambiente não estiver preparado para essa especificidade, a criança pode perder dados essenciais, o que prejudica a aprendizagem e a aquisição de marcos fundamentais, para o seu desenvolvimento como um todo. “Por isso que as terapias são desenvolvidas de forma conjunta, visando tanto o desenvolvimento motor , quanto os aspectos cognitivo, linguístico e emocional ; ou seja, o desenvolvimento global”, explicou.

Um dos pilares desse avanço foi o trabalho de psicomotricidade conduzido pelo profissional Marcelo Vergílio, também do Instituto Equilibre. Eliane recordou que o fortalecimento da musculatura do pescoço foi marco para a família. Antes das intervenções, Liz apresentava dificuldades para sustentar a cabeça e manter o equilíbrio ao sentar. O trabalho psicomotor estruturado permitiu ganhos necessários para não perder os marcos do desenvolvimento motor. A segurança que a menina demonstra hoje ao caminhar e interagir no ambiente escolar, experiência mais importante nesta fase de sua vida, consiste no reflexo direto dessas intervenções , em que, o brincar era utilizado como ferramenta técnica de reabilitação.

“As famílias não devem terceirizar o tratamento”

Contudo, a eficácia do tratamento clínico reside na continuidade das práticas no ambiente doméstico. Priscila Reis enfatiza que a família não pode ‘terceirizar’ o cuidado apenas, pois as terapias ocupam apenas algumas horas da semana, enquanto as demais, a criança estará em casa. “O sucesso da intervenção não reside apenas no consultório; mas sim no trabalho conjunto entre família e profissionais. 

 O compromisso de Eliane e do pai, Arthur Doerig, foi fundamental nesse processo. A rotina envolvia – e envolve até hoje – desde estímulos auditivos até o uso de encartes visuais para organizar o cotidiano da criança. Essa dedicação transformou o conhecimento técnico em ferramenta de autonomia, permitindo que a angústia do diagnóstico desse lugar à segurança de uma construção gradual. 

Liz, cujo nome foi escolhido pela mãe por lhe trazer um significado de  promessa, nasceu como uma filha ‘temporana”, na segunda união de Maria Eliane, que já possui filhos adultos e até netos. A mãe, que praticava ciclismo diariamente das 5h às 6 horas pedalando da Vila Gammon até o distrito rural de Conceição do Monte Alegre, foi surpreendida com dores nas costas. A surpresa foi maior ainda quando ao fazer um ultrassom surgiu os batimentos cardíacos do minúsculo coração de Liz. 

Atualmente, residente em Assis, a mãe mantém uma atenção permanente e busca incessante por informação. “Quando confirmamos o diagnóstico de Liz eu pedi a Deus que colocasse em nosso caminho alguém que pudesse nos ajudar de fato. Comecei a pesquisar no Google e quando achei o nome da fonoaudióloga Priscila Reis, senti que seria ela. Tudo se confirmaria depois e hoje desenvolvemos um afeto enorme com todos da Clínica Equilibre”, relatou.  A jornada de Liz na Escola Guiomar começou em fevereiro próximo sem dificuldades aparentes, provando que a preparação iniciada nos primeiros meses de vida é o suporte necessário para que os desafios pedagógicos e sociais sejam enfrentados com a mesma naturalidade do aceno dado na porta da escola.

A ciência por trás do estímulo e o papel da fonoaudiologia

O processo terapêutico de crianças com síndrome de Down exige um olhar técnico sobre características morfológicas específicas que impactam diretamente a comunicação e a alimentação. De acordo com a fonoaudióloga Priscila Reis, a hipotonia global — a redução do tônus muscular — é uma das marcas  presentes, afetando não apenas a postura, mas toda a musculatura orofacial. Essa flacidez muscular interfere na articulação da fala, tornando-a, muitas vezes, ininteligível se não houver intervenção. A língua, por ser anatomicamente mais alargada em relação à cavidade bucal, exigindo um treinamento de refinamento motor extremamente preciso para que a criança consiga produzir sons de forma clara e funcional.

Além da questão motora, existe o desafio do processamento auditivo. A especialista destaca que a aprendizagem ocorre por meio da repetição e do uso de estratégias de comunicação orientativa. Durante as sessões no Instituto Equilibre, a orientação familiar era o eixo central: Maria Eliane participava ativamente, aprendendo a realizar estimulações auditivas e a incentivar a imitação de expressões faciais. O uso de rotinas visuais, como encartes espalhados pela casa, auxilia na organização mental da criança, combatendo a lentidão de processamento e garantindo que a informação não seja perdida no cotidiano.

Outro ponto de atenção crucial mencionado pela equipe técnica é a higiene do sono. Distúrbios do sono são comuns e podem gerar irritabilidade e exaustão, tanto na criança quanto nos cuidadores, prejudicando o desempenho nas terapias e na escola. O manejo comportamental, sem invadir áreas médicas, busca ajustar o relógio biológico e garantir que o desenvolvimento neurológico ocorra de forma saudável. Todo esse esforço multidisciplinar visa um objetivo único e de longo prazo: a autonomia. A intervenção  busca oferecer condições para que Liz e outras crianças com Síndrome de Down possam exercer sua cidadania com independência, superando as lacunas de desenvolvimento e alcançando cada ciclo de crescimento com novas competências adquiridas.

O futuro da inclusão e a rede de cuidados permanentes

Novos ciclos trazem desafios  e a necessidade de suporte contínuo

O ingresso na vida escolar é apenas o primeiro grande passo de uma longa caminhada. À medida que Liz Morgado avança em sua jornada acadêmica, a rede de cuidados multidisciplinares tende a se adaptar às novas demandas que surgem com o crescimento. Especialistas alertam que a transição para a alfabetização e o convívio social mais intenso exigirão um acompanhamento pedagógico próximo, focado em superar possíveis dificuldades de abstração e lógica. O conhecimento acumulado pela família ao longo dos últimos três anos no Instituto Equilibre serve como base, mas a manutenção das terapias de fonoaudiologia e psicomotricidade permanecem essenciais para consolidar a fala e a coordenação motora fina, fundamentais para a escrita.

A troca de experiências entre famílias também funciona como um suporte emocional, dissipando dúvidas e fortalecendo a rede de proteção em torno da criança. Para Maria Eliane, a busca por profissionais que não apenas possuam conhecimento técnico, mas que também busquem atualizações constantes sobre as evoluções da área, é a garantia de que Liz continuará recebendo o melhor estímulo possível para cada fase de sua vida. “Esses profissionais encontrei no Instituto Equilibre”, garantiu.

O foco final de todo esse investimento é a vida adulta. A preparação para o mercado de trabalho e para a vida autônoma começa na infância, através do estímulo à resolução de problemas simples e à independência nas atividades diárias. O exemplo de Liz mostra que, quando há um diagnóstico rápido e uma família comprometida com a ciência e o afeto, a ‘promessa’ contida em seu nome se transforma em realidade palpável. A educação inclusiva, portanto, não é apenas um direito legal, mas uma construção coletiva que envolve terapeutas, escola e, principalmente, o núcleo familiar em uma dedicação que não termina no sinal da escola, mas se estende por toda a vida

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